Para mim realizar este trabalho foi um enorme desafio pois não estava em sala de aula então propuz a professora o relato de um trabalho que havia desenvolvido no ano passado.Foi muito bom poder perceber a importância da proposta que foi trabalhada em parceria com duas colegas de minha escola como parte integrante do meu inventário e mais ainda saber o quão significativo está sendo para os alunos a participação e o engajamento nesta proposta que visa desenvolver não só a criatividade mas também a aprendizagem como um todo.Como vocês podem ver é um trabalho que desenvolve várias habilidades , mas o principal é a integração do grupo, as vivências compartilhadas e o amadurecimento adquirido.
- Criar as oportunidades para que os alunos possam se expressar por meio dos jogos dramáticos;
- Desenvolver sua criatividade, expressão oral, corporal, capacidade de síntese e iniciativa para colaborar com o trabalho do grupo.
- Na escola em que atuei até o momento de minha licença temos um grupo de teatro, que nasceu de uma parceria entre o trabalho com literatura infanto-juvenil na biblioteca e o projeto de artes que desenvolvia com os alunos em turno contrário ao da aula.
No ano passado, como foi o centenário de Mário Quintana, decidimos juntamente com os alunos conhecer melhor a sua obra e quem sabe daí estruturarmos alguma atividade teatral.
Para darmos início as atividades do grupo de teatro, partimos dos jogos dramáticos e realizamos atividades como:
1- Ao som de uma música os alunos deveriam caminhar ocupando o espaço da sala, se movimentando seguindo o ritmo, passando pelos colegas sem se chocarem uns nos outros, em dado momento trocamos a música colocando ritmos variados.
2- Dividir o grupo em quatro subgrupos com quatro elementos, a cada grupo é dado uma cartela indicando um tipo de sentimento, em seguida os grupos combinam alguma ação que vá demonstrar aquele sentimento que lhe foi indicado. Após a apresentação de cada grupo os demais tentam adivinhar que sentimentos estão expressando.
3- Alunos em duplas, um será a massa e o outro o escultor. Desta maneira cada um na sua vez tentará formar com o corpo do outro colega uma escultura.
Além destas atividades que costumamos realizar, no início de nossos encontros, para desenvolver autoconfiança, coordenação motora, improvisação, expressão oral, etc. Também realizamos leituras sobre a obra do Quintana a fim de escolhermos em que nos basearíamos para construirmos a peça de teatro.
Após várias leituras decidimos por encenarmos “O pé de Pilão”, dividimos o trabalho, enquanto cuidava do cenário e figurino, juntamente com os alunos, a professora da biblioteca trabalhava com eles o texto, dividiu as falas dos personagens, fizemos sorteio para definir o papel de cada um ou selecionávamos de acordo com a disponibilidade de cada um para fazer tal personagem.
Os alunos se engajavam extremamente ao trabalho porque participavam de todas as ações em conjunto.
Ao final conseguimos montar o espetáculo e apresentamos para todos os alunos na área coberta da escola com a presença da sobrinha do Poeta Mário Quintana, que visitou nossa escola.
Nosso trabalho foi reconhecido e fomos convidados a apresentá-lo em outras escolas do nosso município e também para o pessoal do curso técnico do SENAC de Estância Velha que nos presenteou com um passeio à Casa de Cultura Mário Quintana


De acordo com as leituras e pela experiência que tive com nosso grupo de teatro pude compreender as palavras de Spolin ao afirmar que todos nós somos capazes de atuar, de aprender através das experiências que vivemos.
O teatro é uma atividade artística que exige muito de todos que estão envolvidos, o trabalho deve ser coeso e interdependente, para que possibilite o crescimento pessoal de seus componentes.
Guinsburg assinala que o ponto de partida do ato teatral se baseia em elementos fundamentais para a sua existência, tais como: intencionalidade, texto, personagem e público.
O teatro no contexto escolar torna possível uma maior compreensão do indivíduo por parte de si mesmo e do mundo que o cerca, exigindo uma reestruturação na sua maneira de expressar as idéias que quer comunicar em cena de tal modo que possa refletir nas suas ações cotidianas.
Existem algumas formas de abordagem dramática na educação:
O Play Way ou método dramático, no qual o teatro é utilizado como caminho para a aprendizagem de várias disciplinas.
O Teatro Criativo onde o jogo dramático é caracterizado pela livre expressão, improvisação e espontaneidade ganham ênfase.
O Movimento Criativo se apóia na experiência do movimento expressivo, principalmente no que se refere à dança e ao teatro, do qual Laban foi precursor.
O Teatro Escolar onde a representação é vista como uma das possibilidades de trabalho em sala de aula se desenvolve a partir dos jogos criativos e de trabalhos de improvisação. Há que se ter o cuidado com a faixa etária dos alunos, pois os alunos devem trabalhar num processo de cooperação e construção artística.
O Jogo Dramático está ligado ao faz- de- conta infantil, mais ligado à subjetividade e as relações do indivíduo com seu imaginário e sua expressividade.
Os Jogos Teatrais - desenvolvido pela pesquisadora Viola Spolin, são uma abordagem contemporânea do teatro na educação. É baseado na improvisação, na construção individual e na interação entre os indivíduos e destes com os problemas de atuação.
A utilização de determinada abordagem teatral não exclui as demais, é necessário ter clareza com relação aos objetivos que se quer alcançar e buscar os melhores caminhos para atingi-los.
Os alunos se envolveram tanto no trabalho realizado com o teatro que isso refletiu no rendimento deles na sala de aula, muitos adquiriram mais autoconfiança, melhorou a expressão oral, a leitura, a participação das atividades em geral na escola.
Realizando as leituras dos textos pude perceber com maior propriedade a importância do teatro na educação, elas vieram reforçar minha crença na aprendizagem pela arte.